O Dia Municipal do Bombeiro, que simboliza o reconhecimento pelos atos dos "Soldados da Paz" em defesa do território e dos cidadãos, é assinalado hoje no concelho da Horta, celebrando-se este ano o 17.º Dia Municipal do Bombeiro.
Em boa hora, o Município faialense inaugurou e continua a sustentar esta iniciativa, que agora se estende a outros concelhos dos Açores, reforçando-se, desta forma, a importância que os bombeiros e bombeiras e as respetivas Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários têm para os cidadãos e concelhos da Região.
O ano de 2017 foi muito difícil para Portugal e para os portugueses, no que toca aos incêndios florestais e urbanos.
Não deixando de estar na ordem do dia os assuntos que aos bombeiros dizem respeito - como a carreira e regime jurídico do bombeiro, o modelo de financiamento das Associações Humanitárias pelo Estado, entre outros -, o ano que passou dá-nos matéria para uma profunda e renovada reflexão sobre a importância dos bombeiros voluntários e mistos e das suas Associações, no contexto de uma proteção civil ativa, moderna e profissional.
O que se espera dos bombeiros e das Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, após os trágicos acontecimentos de junho e outubro de 2017?
Como elucidar os cidadãos menos atentos e interessados sobre a importância dos bombeiros voluntários e das suas Associações para a proteção de pessoas e bens, designadamente para o socorro a feridos, doentes ou náufragos e a extinção de incêndios, 24 horas por dia, 365/6 dias por ano?
Como explicar aos cidadãos menos atentos e interessados, assim como ao Estado e às demais instituições da sociedade civil, que os bombeiros e as suas Associações continuam a lutar para que o seu trabalho e dedicação sejam melhor valorizados, não porque se trata de trabalho e voluntariado puro, mas porque no final da linha sempre estão estes profissionais, quando mais ninguém lá está?
Como motivar as novas gerações para o voluntariado nesta área, quando todos os dias, nos órgãos de comunicação social e, em particular, nas redes sociais, se diz tudo o que se pensa sobre o nobre trabalho dos bombeiros portugueses, muitas vezes de forma injusta, errónea e difamatória?
Como assegurar que todos aqueles e aquelas que escolhem ser bombeiros voluntários e profissionais, no final do seu dia de trabalho, que por vezes parece não ter fim, recolhem às suas casas e famílias com o sentido de dever cumprido?
E como dizer aos Comandos dos Corpos de Bombeiros que as Associações nem sempre têm os recursos financeiros necessários para assegurar postos de trabalho, equipamentos, viaturas e novos investimentos?
Por último, e mais importante, o que dizer aos familiares quando os bombeiros portugueses perdem a vida em serviço e não regressam a casa, se a sua profissão nem sequer é considerada de risco?
Saudamos, não obstante, a vinda de novos atores para este teatro de operações, dos ramos das forças armadas, da GNR, porventura da PSP e das estruturas nucleares da proteção civil, e esperamos que todos eles não sejam bombeiros e bombeiras apenas das nove às cinco. Porque a história, a experiência e a realidade ensinaram-nos que ser bombeiro, voluntário ou profissional, implica dedicação contínua e permanente, imensuráveis sacrifícios pessoais e familiares, salários incompatíveis com a dádiva da vida e, não raro, incompreensão de tudo e todos quando as coisas correm menos bem.
Num tempo em que se exige reflexão e espera mudança, deixo aqui a garantia de que o Faial e os Açores podem continuar a contar com a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Faial e com o seu Corpo de Bombeiros. Contam connosco para um concelho mais seguro e para uma região melhor preparada para enfrentar as dificuldades - pois temos a formação adequada e os recursos para agir -, num país que deve urgentemente olhar para os seus bombeiros e bombeiras como homens e mulheres que, dia após dia, oferecem a sua vida por outra vida, merecendo, por isso, o devido respeito e valorização.
Um bem-haja aos bombeiros e bombeiras faialenses!
Horta, 04 de maio de 2018.
O Presidente da Direção da AHBVF,
Dr. José Manuel Braia Ferreira
Foto: Município da Horta.