O Dia Municipal do Bombeiro, que simboliza o reconhecimento pelos atos dos "Soldados da Paz" em defesa do território e dos cidadãos, é assinalado desde 2002 no concelho da Horta.
Em boa hora, o Município faialense inaugurou e continua a sustentar esta iniciativa, que dignifica a profissão de bombeiro, o voluntariado humanitário e aproxima a população da sua Associação e do seu Corpo de Bombeiros.
Este ano, comporta um significado ainda mais especial, na medida em que coincide com a bênção da nova ambulância de transporte não urgente de doentes, há muito almejada pela Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Faial e cuja aquisição só foi possível graças à inestimável colaboração da população e de diversas entidades públicas e privadas, entre elas a Câmara Municipal da Horta, contributos que muito reconhecemos e agradecemos.
Não obstante, na comemoração do 18.º Dia Municipal do Bombeiro, e atingida que está a “maioridade”, importa reconhecer a necessidade de dar mais um passo no sentido da excelência em matéria de intervenção, presença e cooperação no que à proteção civil municipal diz respeito.
E é neste sentido que hoje e aqui lanço o desafio ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de, em conjunto, promovermos um encontro público de debate sobre a proteção civil municipal, nas suas diversas vertentes e sempre no intuito de procurar prevenir, inventariar e apresentar soluções para os problemas da população.
Hoje já não é possível falar de proteção civil sem falar de proteção ambiental; já não podemos falar de proteção civil, sobretudo municipal, sem falar de prevenção rodoviária; e, por conseguinte, os conceitos ampliam-se, interligam-se e exigem de todos nós uma atenção redobrada para a prevenção.
Há poucos dias, todos nós assistimos ao acidente que ocorreu na Madeira. Quando vi as primeiras imagens daquele autocarro, imaginei uma situação semelhante na ilha do Faial. Estaríamos todos nós preparados para um desastre daquela dimensão?
Sendo certo que nos habituámos a terramotos, vulcões e a outros fenómenos com que o planeta nos presenteia de quando em vez, de maior ou menor gravidade, nunca estas imagens nos entravam pela casa quase no exato momento em que ocorriam.
A verdade é que desapareceu o lapso de tempo entre o fenómeno e a sua divulgação. E todos somos convocados a saber ser e agir no exato momento em que somos colocados à prova.
E se, porventura, em matéria de planeamento estaríamos preparados, o que dizer da envolvência emocional; da conjugação de meios e vontades; das respostas a dar à população; da gestão dos meios de comunicação social ávidos de informação; dos diretos interessados, familiares e afins; das respostas aos canais protocolares regionais, nacionais ou internacionais?
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Caríssimas Bombeiras e Bombeiros,
Não pende apenas sobre Vós o dever de prestar o socorro ao próximo. Sendo certo que nessa área Vós sois os mais preparados, motivados, experientes e corajosos, o presente exige de todos nós um regresso ao sentimento de ajuda, de partilha e de proximidade.
E no final do dia, regressados ao quartel e depois às Vossas casas, é preciso que, para além do sentido de dever cumprido, também leveis o descanso físico e emocional que se deseja e exige.
Um bem-haja aos bombeiros e bombeiras faialenses!
Horta, 03 de maio de 2019.
O Presidente da Direção da AHBVF,
Dr. José Manuel Braia Ferreira
Foto: gentilmente cedida pelo Sr. José Macedo.